
Hoje comecei de novo, decidi que ia continuar a construir uma vida linda. Sinto-me eu, natural, pura, espontânea, selvagem e sempre com o mesmo sorriso.
Acordei e decidi que ia erguer a cabeça e ser a mulher forte que sempre fui. Arranjei-me e ao inicio da tarde, agarrei no carro e fui sozinha para o fórum Montijo. O Sol aquecia e eu lá fui, com óculos de sol postos e rádio a tocar. Um imensa vontade de chorar, mas ainda uma maior vontade de ser feliz.
Fogo, disse para mim própria, hás-de de ser feliz. Acredita no teu grande amor, era o que gritava dentro de mim. E eu amo fortemente.
Continuei a conduzir a uma velocidade que fazia o carro abanar por todos os lados, mas eu queria lá saber. Raios!
Dei umas voltas pelo fórum, encontrei uma amiga numa loja e comprei um livro na Bertrand de Federico Moccia, intitulado "Quero-te muito" (onde é que eu já ouvi isto? opá....).
Antes de comprar o livro, leio o resumo. Conta a história de um rapaz, filho de pais separados, que gosta de ser rebelde, irónico, mas no fundo sincero, que se auto-exila noutro país, para se afastar da ex-namorada que o traiu com outro...e quando regressa conhece uma rapariga bonita, decidida, sonhadora e virgem, com quem começa a namorar. Chama-a de princesa. Quando tudo está a correr bem, a ex-namorada volta a aparecer, o que o enche de dúvidas. "Quando tudo corre bem..."Esta tarde, já me estava a trazer muitas memórias. Também regressaste de outro país, e conheceste-me logo, foi o que surgiu no meu pensamento. Decidi ver aleatoriamente algumas páginas e ler o final do livro, cheio de coincidências... Mas enfim, para ver se valia a pena comprar.
Numa parte diz:
"Ela é natural, selvagem, elegante, pura, apaixonada, antidroga, altruísta, divertida...Ela é incrível. Sempre desordenadíssima, e depois repentinamente concisa. Realmente surpreende-me o facto de ela nunca ter estado com ninguém. Nunca acreditaria, a sério. É demasiado terna. É linda, também... É como é. Única. Tem uma força, uma determinação... às vezes parece distraída, mas no fundo está a seguir tudo, observa tudo à sua volta, mesmo nas festas; se calhar enquanto conversa com uma amiga, está a controlar com quem falo, com quem não falo, o que acontece ao fundo da sala, quem acabou de entrar, quem diz o quê e sobre quem... E ri, como uma louca e tem sempre a resposta pronta...Lamento o que aconteceu. Não sabia o que estava a fazer... Ela há-de compreender, vai compreender, tem de compreender..."
Senti as lágrimas nos olhos. A tristeza está a dissolver-se, mas ainda me faz chorar. Lembras-te, eu era assim quando me conheceste e continuo a ser...foi o que pensei para mim mesma e falei em pensamento com "alguém".
Raios! Natural, selvagem, elegante, pura, apaixonada, antidroga, altruísta, divertida...
Comovo-me, quando abro na página 230, que descreve a primeira vez em que fizeram amor.
"Sinto-a ainda tensa, não, está a deixar-se levar... Corações e suspiros...", "Um gemido mais forte e agora é minha. É estranho pensá-lo. É minha."
"Procuro a boca dele, o seu sorriso, os seus lábios... afasto a dor, torno a sentir, a experimentar e provo o prazer. Estou bem, agrada-me, quero-o. Como as suas letras, na pele, a partir de hoje, gravadas para sempre dentro de mim."
Por fim, "um traço de leve tinta vermelha entre os meus dedos", o sangue dela.
Mais à frente, percebo que esta rapariga escreve muito sobre tudo, especialmente sobre ele e para ele. Leio uma passagem que ela escreveu, ainda sem o conhecer bem:
"Sempre te quis. Quero-te muito. Por tudo o que imaginei, sonhei, ansiei. Quero-te muito. Pelo que sei e ainda mais pelo que não sei. Quero-te muito. Por aquele beijo que ainda não te dei. Quero-te muito. Pelo amor que nunca fiz. Quero-te muito, embora nunca te tenha provado. Quero-te muito, a ti todo. Aos teus erros, aos teus sucessos, aos teus enganos, às tuas dores, às tuas simples incertezas, aos pensamentos que tiveste e àqueles que espero que tenhas esquecido, aos pensamentos que ainda não sabes. Quero-te muito. Quero-te tanto, que nada me basta. Quero-te tanto e nem sequer sei porquê... Ufa. Quero-te muito."
Sustenho a minha respiração, quando acabo de ler. Também escrevi muito. Quero-te muito....
Respirei fundo e prometi que só ia ler o fim e mais nada. Comprava o maldito livro que estava a fazer o meu coração bater.
Diz o rapaz no fim: "Quando monto na moto, já se está a pôr o Sol. E precisamente nesse momento, vejo-a regressar. Com a sua condução veloz, tal como ela. Segue a curva com a cabeça, cantarolando a canção que está a ouvir nesse momento. Sabe-se lá qual é. Mas parece de novo alegre. Como sempre. Linda com o seu sorriso, a vida que tem, os sonhos que persegue, os limites que não conhece. Livre. Livre de tudo o que não lhe interessa e até de mais. E então afasto-me assim, vendo-a espantada, enquanto sorri. E sou feliz. Como já não era há muito....Culpado só daquelas palavras. Imensas. Sobre toda a frontaria do seu prédio. Esplêndidas, directas, verdadeiras. E agora já não tenho dúvidas, já não tenho remorsos, já não tenho sombras, não tenho pecado, já não tenho passado. Tenho só um grande desejo de recomeçar. E de ser feliz. Contigo. Tenho a certeza. Sim, é assim mesmo. Vês, até o escrevi. Quero-te muito."
Senti o coração palpitar, por ter pegado neste livro assim que entrei pela porta da Bertrand. As dúvidas, as sombras... o meu sorriso, a minha alegria...quero-te muito, ser feliz contigo, estas palavras. Paguei o livro e guardei-o na mala. Trouxe-o depois de perceber que ele tinha escolhido ser feliz com esta rapariga que o amava e não com a ex-namorada. Ao menos, um final feliz, era o que estava a precisar. Já estou cansada...
Depois fui comprar um bilhete para o filme "ABC da Sedução". Comprei um Sumol de ananás e fui directa à minha, quase particular, sessão de cinema, completamente sozinha. Meia dúzia de pessoas entrou depois. Mas no fundo, estava sozinha.
O filme é uma comédia romântica, sobre uma mulher certinha, bem sucedida profissionalmente, mas sem vida sentimental. Andava à procura do homem e da relação perfeita para ela, daquelas que se constroem com o ramo de flores, o primeiro beijo, o sexo só uns tempos depois, enfim romantismo ao rubro. Uma mulher interiormente sedutora, mas que não tinha descoberto dentro de si, o poder de seduzir, embora o tivesse escondido. Não havia sexo sem amor, nem pensar. Uma mulher com grandes expectativas em relação ao amor.
Ele, um homem que quer ter relações superficiais, que não se quer apaixonar por ninguém, que quer andar livre. É apresentador de um programa que explica às mulheres, de forma nua e crua, curta e grossa, como são os homens. Diz que elas se desenganem, porque os homens têm o coração entre as pernas.
Por razões profissionais, acabam por se cruzar. É óbvia a diferença entre os dois, são totalmente opostos. Depois de tantas peripécias, que vale a pena ver, ele diz que a ama, que está apaixonado por ela, e não sabe bem porquê. São opostos, era por isso. Ficam juntos. Era certinha...mas era completa!
Depois do cinema, fui ao Modelo comprar umas coisas para a casa, e quando saí com o carrinho das compras, que tremelicava por todos os lados naquele chão incerto, dei por mim a ter dois homens a apreciar-me, na estação de lavagem de carro automática, no parque de estacionamento. "Linda", diziam eles. Bolas, nem liguei, estava mais interessada em pensar na minha nova vida.
Percebi que posso ser eu própria, sem tentar ser uma mulher como as outras. Sou apenas eu, com os meus defeitos e virtudes, e não existe mulher igual a mim. Os homens podem gostar de muito sexo, mas também gostam de muito amor.
Serei sempre eu, com aquele lado certinho, mas também com o meu lado atrevido, refilão e aventureiro. Serei sempre eu, natural, espontânea, selvagem, com o mesmo sorriso que apaixonou alguém e com a mesma pontinha de ingenuidade. Posso experimentar algo novo, mas nunca deixarei de ser eu. Uma mulher teimosa, que gosta de meiguice, uma mulher equilibrada, que gosta de rebeldia. Que fumou charuto e cigarrilha há pouco tempo, mas que ainda não sabe fumar. Que faz rir os outros com o próprio sorriso e que faz beicinho, quando não tem vontade de rir.
Raios, sou eu! Saí daquele filme com uma vontade de beijar um certo "alguém", de o encostar à parede e beijá-lo todinho. Mas controlo-me, e percebo que, infelizmente, o final do filme, e sobretudo o final do livro "Quero-te muito", não é igual ao meu.
Mas não faz mal... sou como sempre fui, natural, espontânea e selvagem, desejando uma vida futura a dois, com muito amor, respeito, confiança, união, partilha, sonhos, conquistas e música...
Estou em casa... aqui, a ler o livro. Para mim, mil vezes melhor que o filme, com muito mais significado. Estou aqui, a escrever o meu romance... Estou aqui, sou eu...
P.S: Não interessam as diferenças, não importa a cor, o dinheiro... importa o que somos, os princípios, os valores e o amor. Importa tudo aquilo em que acreditamos, tudo aquilo que é possível mudar para melhor, importam os que amamos. Quero-te, amo-te, desejo-te, escrevo-te... Como no livro, também fui demonstrando que te quero muito, a ti todo. Aos teus erros, aos teus sucessos, aos teus enganos, às tuas dores, às tuas simples incertezas, aos pensamentos que tiveste e àqueles que espero que tenhas esquecido, aos pensamentos que ainda não sabes. Quero-te muito. Quero-te tanto, que nada me basta. O amor move montanhas e eu moveria todas para estar contigo aqui, ou noutra cidade, ou mesmo noutro país. Eu amo-te... Acreditei em nós, acreditei que moveria montanhas por ti, que as moverias por mim também. Teria sido uma aventura, um desafio e sobretudo, amor.
Estou aqui, começo de novo, e serei sempre eu...
É o único e o meu último post aqui...
Vanessa


